17.4.09
Sverige!
Os cabeças do The Pirate Bay foram, após uns dois meses e meio de julgamento, sentenciados a 1 ano de cana e a pagar 117 milhões de coroas suecas (o dinheiro, não as senhoras de idade daquele país). O país que, entre outras coisas, deu ao mundo ABBA, Volvo, Absolut e IKEA, acompanha os desdobramentos do causo com atenção e hoje todos os veículos de comunicação do planeta mencionaram o facto. Sem levar em consideração o facto de ainda caber recurso, de o financiador do grupo ser um neo-nazista, de os interessados na condenação e no fechamento do Pirate Bay seram representantes, ainda que indiretos, da RIAA e da MPAA, discorrerei sobre o caso. Pois bem. A acusação é "promoting other people's infringements of copyright laws", ou seja, nada a ver com disponibilizar e/ou armazenar materiais protegidos por direitos autorais. E, convenhamos, "promoting other people's infringements of copyright laws" é exatamente o que o Pirate Bay faz. Podem usar a desculpa que for, mas baixar música, filme, games e qualquer outra coisa que pelas vias normais custaria alguns cruzeiros é ilegal e não se enquadra no "fair use". Uma coisa é o Trent Reznor colocar um álbum novo pra todo mundo baixar de grátis, outra é baixar a discografia completa dos Beatles. No primeiro caso, o artista mandou a gravadora e a indústria musical as we know it pras picas e resolveu fazer o serviço ele mesmo. Todo mundo sabe que as bandas ganham grana de verdade fazendo shows e quem granha grana vendendo CD é a gravadora. Bom pra ele, bom pros fãs, bom pra camada de ozônio, bom pra floresta amazônica e os caralho. Ruim pra Universal Music. Nesse caso, problema deles. Que a indústria musical entre em colapso ou encontre outra maneira de fazer uma grana. No segundo caso, que pode não ser o melhor exemplo, não houve uma decisão dos artistas de liberar sua obra pra geral. Música deles, decisão deles, respeitemos. Mas, cá entre nós, sabemos que Sir James Paul McCartney não está em posição de vulnerabilidade socio-econômica nesse momento. Então nós vamos lá e baixamos. Se ele estiver ruim de grana daqui a 357 anos, ele pode fazer um show e pagar todas as contas dele, é só ver o exemplo recente do Michael Jackson. O ponto é mais ou menos o seguinte: em se tratando de música, baixar continua sendo ilegal, mas prejudica menos o autor da obra do que, digamos, filmes ou software. Pensa só: Um belo dia, Harry Potter & The Half-Blood Prince vaza na internet e, digamos, ninguém vai ver no cinema. Improvável, é claro. Pensemos então que, sei lá, 10% do público potencial resolva ficar em casa e baixar o filme. Levando como base a arrecadação de HP & The Order of the Phoenix, 10% de potenciais consumidores em casa significa nada menos que U$ 100.000.000. Cem milhões de dólares. Caso extremo, exemplo péssimo. Se é aquele filme meia boca que você vai numa quarta à noite porque não tem nada pra fazer, 10% a mais ou a menos no público pode fazer a diferença entre lucro e prejuízo pra um filme. E se a Warner começar a ter prejuízo em cima de prejuízo no acumulado geral dos filmes, eles fecham as portas e vão vender côco na praia porque dá mais dinheiro. Moral da história? Ninguém mais vai querer investir em filmes porque não dá lucro. E, para os mais desavisados, vivemos no capitalismo e empresas com fins lucrativos têm o lucro como fim. Se não dá lucro, let's move on. E lembre-se que depois de lançado o filme, não tem tour mundial com o Daniel Radcliffe encenando a obra. Restará aquele sujeito que vende o carro e faz um filme por amor, restará o sujeito que arruma um patrocinador que não pede necessariamente retorno financeiro e só quer ter o nome associado para fins marqueteiros e restará o sujeito que tem contatos em Brasília e todos nós acabamos pagando o filme. De qualquer maneira, foi-se o tempo do blockbuster nesse exercício distópico e especulativo. Suponho que isso não venha a acontecer, mas a idéia é essa: quando a recompensa que um estúdio tem para fazer um filme (dinheiro) diminui, a motivação econômica do estúdio diminui na mesma proporção. Simples assim. Se a recompensa diminui o suficiente, a motivação vai a zero e o filme não é feito. Mesma coisa com software, já que não vemos Windows Vista in Concert no Credicard Hall. Se a recompensa desejada é outra que não grana (caso do software livre, creative commons, etc.), a motivação para produzir segue e obra é feita do jeito que der. Obras fora de catálogo, filmes que não são lançados aqui, software descontinuado... Baixar isso, na minha opinião é fair use (desde que ninguém esteja ganhando nada com isso, claro) e ponto final. Mandar os quatro do Pirate Bay pro xadrez vai diminuir a pirataria? Nem um pouco. Fechar o Pirate Bay vai diminuir a pirataria? Pergunta pro Shawn Fanning e pro Metallica de que adiantou fechar o Napster. Só não me venha com papo de hippie de que tudo tem que ser de todo mundo de graça. Quando Trent Reznor for levar um som na sua cidade, compareça e ajude o homem a stick it up to the man. Aprenda a programar e faça a sua própria versão do Office. Escreva um livro, mande a editora às favas, publique sua obra sozinho e sob Creative Commons. Baixar é mole, quero ver é fazer upload.


1 comments:
Foi o que eu falei pra um miguxo meu hj.
Nao é POSSIVEL que eles tenham essa visão maluca de que tudo tem que ser de todos. Eu sou um pirateiro de hora maior e nao vou negar, mas tb nao vou pra cadeia se me derem a opcao. Se me falarem: tira isso do ar pq é meu e e unao quero que voce distribua, beleza, eu faria.
Eu até entendo voce querer is contra uma acusacao de que voce distribui as coisas - coisa que o piratebay nao faz. Ele nao host nenhum material com copyright.
Agora, facilitar a distribuicao, ele faz sim. E nao faz sentido ir pra uma corte sobre isso - é ilegal e pronto.
Por isso que eu acho que eles sao malucos. Mas enfim, é divertido. E o mais divertido é que o site vai continuar de pé, sejam eles condenados ou nao.
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